Estamos a menos de um ano para as próximas eleições, em 2024. No dia 6 de outubro, os brasileiros poderão ir às urnas escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Nas cidades em que for necessário segundo turno, este será 27 de outubro.
Do ponto de vista político, o pleito municipal reconfigura as bases dos partidos, sendo um tipo de termômetro em relação às eleições seguintes.
E é por causa desta acomodação que já é possível ver as diferentes correntes políticas envolvidas no processo eleitoral se movimentando, no sentido de ampliar a base de sustentação nos municípios e angariar maior apoio para o pleito de 2026.
Estratégias em campo
As eleições de 2020 foram ruins para o PT, que, pela primeira vez, não elegeu nenhum prefeito de capital. As principais cidades administradas pelo partido são de tamanho médio. Para alterar esse quadro de derrotas, o partido já se movimenta para que em 2024 consiga conquistar mais de mil prefeituras.
Mesmo negando intenções eleitorais, Lula vem se aproximando de políticos de todos os campos ideológicos e a expectativa é que no primeiro semestre do ano que vem priorize as viagens pelo país. Serão inauguradas obras, privilegiando as do PAC, que é o carro chefe do governo e garante a ampliação da popularidade.
Para 2024, o PT não deve ter candidatos próprios nas duas maiores capitais (São Paulo e Rio de Janeiro). A principal estratégia parece que será ter concorrentes em 12 a 14 capitais e em cerca de 300 cidades com mais de cem mil habitantes – cidades médias, que poderão ser importantes em 2026, onde pode haver segundo turno.
Há enorme preocupação de não deixar as disputas regionais contaminarem a base de apoio do governo. A economia do próximo ano promete não ser fácil e garantir a sustentação de apoio (especialmente no Congresso Nacional) será fundamental. Lula deve participar diretamente das conversas com os principais interlocutores, enquanto o senador Humberto Gosta (PE) coordenará as estratégias do PT para as disputas.
Já a oposição tentará espaço em regiões que são conhecidas como reduto do presidente Lula e da esquerda: o Nordeste. A direita tem atuado para defender o legado do ex-chefe do Executivo, como obras e recursos aportados.
Esta ala política está receosa com o movimento do governo de viajar Brasil a fora e, por isso, o PL, por exemplo, proibiu que prefeitos participem de eventos do governo federal e determinou que não deem palanque a aliados da sigla. O partido se programa para lançar candidatos a pelo menos metade das prefeituras do país e espera atingir ao menos 2,5 mil municípios.
Nas eleições de 2020, o ex-presidente Jair Bolsonaro também não se saiu bem. Dos 13 candidatos a prefeito para quem fez campanha, apenas dois se elegeram. Agora, o Bolsonaro que o PL pretende vender no material de campanha é mais moderado que o presidente das bravatas, que ameaçou fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) e que desprezou a relevância da vacina no combate à covid-19, tido como seu maior prejuízo eleitoral.
O que vem pela frente
Os gargalos dos dois grupos políticos nas eleições municipais serão semelhantes aos enfrentados na disputa presidencial de 2022. A direita terá dificuldade em fazer prefeitos no Nordeste. E a esquerda, na Região Sul do país.
A disputa de 2024 é fundamental para as pretensões de lulistas e de bolsonaristas, pois eleger o maior número de prefeitos significará aumentar a base de apoio no país, preparando o terreno para 2026, quando governos estaduais e a cadeira no Palácio do Planalto estarão em jogo.