Investidor usa índice da Bolsa para aliar ganhos e sustentabilidade

O investidor que queira aliar ganhos em aplicações financeiras e apoio a empresas sustentáveis pode fazer uso dos índices de ações do setor. O ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) é a opção dentro do Brasil, mas ainda não é garantia de aportar de blindagem contra riscos ambientais e outras pautas ESG (sigla em inglês para (Governança ambiental, social e corporativa).

Criado pela B3, o ISE é um indicador das ações de empresas comprometidas com a sustentabilidade empresarial. A atual carteira conta com ações de 78 empresas. No acumulado de 12 meses, o índice sustenta um ganho de 21,8%. Já o Ibovespa sobe, no mesmo período, 23,1%.

“O índice aumenta a transparência do mercado e apoia os investidores na hora de tomar as melhores decisões de investimento, ao mesmo tempo em que incentiva as empresas a aprimorar suas práticas ESG. No entanto, as empresas selecionadas para integrar a carteira (ainda) têm espaço para aprimorar suas estratégias ESG adiante”, segundo Marcella Ungaretti, head de ESG da XP Investimentos.

O ISE não possui grandes concentrações em setores. Entre as empresas com maior peso, como BRF, Banco do Brasil e Natura, nenhuma possui mais de 2,5% do índice. As companhias de energia também estão presentes, com CPFL, Cemig e Equatorial, entre outras.

Na avaliação de Michael Viriato, professor e fundador da Casa do Investidor, o índice pode ser usado como um referencial para o investidor, mas apenas como ponto de partida.

“É um índice a se olhar, mas não significa que a empresa do ISE estará imune a problemas”, diz.

O caso mais recente é o da Braskem, que foi excluída do ISE em dezembro do ano passado. A empresa recebia denúncias em relação aos danos causados pela exploração das minas de sal-gema, em Maceió (AL), ao menos desde 2019.

Quando a B3 anunciou a retirada da Braskem do índice, em 5 de dezembro, a cotação do papel era de R$ 17,44, uma queda de cerca de 50% em relação aos cerca de R$ 35 de junho de 2019, quando os problemas começaram a ganhar repercussão.

A Vale, responsável pelo maior desastre sócio ambiental do país, com a morte de 270 pessoas após o rompimento da Barragem de Brumadinho (MG), também fazia parte do índice – a ação saiu do ISE pouco após o incidente, em janeiro de 2019.

Na avaliação de Fabio Alperowitch, gestor da Fama Investimentos, o ISE tem uma série de equívocos. Ele lembra que o ISE se propõe a ser um índice de sustentabilidade, que é um produto final, mas que na prática avalia ESG, que é um processo.

Outra crítica é em relação ao (fácil) acesso ao índice. O Brasil tem cerca de 400 empresas com ações na Bolsa. São consideradas para o ISE aquelas mais líquidas e as que são consideradas as melhores em práticas ESG de cada setor. No entanto, para o gestor, ter 78 ativos em um universo de apenas 400 empresas é muita coisa.

“Nos Estados Unidos, há 150 empresas de um setor e duas ou três entram no índice. No Brasil, entram duas empresas de um setor com três representantes. Esse princípio está errado. O ISE, a meu ver, mais atrapalha do que ajuda. Ele deseduca. Como resultado, os grandes desastres em termos sócio ambientais e de governança eram de empresas do ISE”, diz.

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